Sobrecarga dos IMLs e falta de peritos expõem gargalo da perícia no Brasil
A perícia criminal e os Institutos Médico-Legais brasileiros operam com forte déficit de profissionais. Estimativas da Associação Brasileira de Criminalística apontam falta de dezenas de milhares de peritos, e estados convivem com sobrecarga, atrasos e estruturas precárias. O cenário escancara a necessidade de mais gente qualificada na área.
Os números do déficit
Os dados ajudam a dimensionar o problema. A Associação Brasileira de Criminalística estima um déficit em torno de 30 mil peritos no país, que conta com cerca de 6,5 mil peritos nas polícias estaduais. Tomando como referência o parâmetro de um perito para cada cinco mil habitantes, a defasagem é grande. Em São Paulo, por exemplo, há cerca de 1.500 peritos criminais, o equivalente a um para cada 29 mil habitantes, número bem abaixo do recomendado. Em Santa Catarina, o instituto de perícia chegou a operar com déficit de 64% do efetivo previsto.
Os impactos do gargalo
A falta de profissionais e de estrutura tem consequências concretas. Ela gera atrasos na liberação de corpos, sobrecarrega quem está na ativa e contribui para a baixa taxa de solução de crimes, já que a perícia é peça central das investigações. O contraste com outros países é grande, porque, enquanto algumas nações esclarecem a maioria de seus homicídios, o Brasil soluciona uma fração desses casos, e a fragilidade da perícia é apontada como um dos motivos.
A importância da qualificação
Esse cenário evidencia a relevância de quem se prepara para a área. A demanda envolve não apenas os peritos, mas também os profissionais de apoio que sustentam a rotina pericial, como o auxiliar de necropsia e o papiloscopista. Boa parte dessas vagas é preenchida por concurso público, o que torna a qualificação um passo importante para quem deseja ingressar. Em um sistema que precisa de reforço, formar-se com seriedade coloca o profissional em posição de aproveitar as oportunidades que surgem.
Perguntas frequentes
Qual o déficit de peritos no Brasil?
A Associação Brasileira de Criminalística estima uma falta em torno de 30 mil peritos. O país tem cerca de 6,5 mil peritos nas polícias estaduais.
Como a falta de peritos afeta a população?
Ela provoca atrasos na liberação de corpos, sobrecarrega os profissionais e contribui para que muitos crimes deixem de ser solucionados, já que a perícia é essencial às investigações.
O auxiliar de necropsia ajuda a suprir essa demanda?
Sim. O auxiliar de necropsia e o papiloscopista são profissionais de apoio essenciais à rotina pericial, e muitas vagas são preenchidas por concurso público.
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Referências
- Associação Brasileira de Criminalística (ABC), dados sobre o déficit de peritos no Brasil, citados em material do Senado Federal. Disponível em senado.leg.br.
- BandNews FM, “Crise no IML de SP: funcionários denunciam precariedade” (2025). Disponível em band.com.br.
- ND Mais, “IGP em decomposição: instituto de perícia catarinense opera com déficit de 64% do efetivo”. Disponível em ndmais.com.br.