Buenos Aires, cidade ligada à história de Eva Perón
17/08/2026

Eva Perón e a arte da morte: o embalsamamento que atravessou décadas

Por admin

Quando Eva Perón morreu, em 1952, o corpo foi conservado pelo anatomista espanhol Pedro Ara, que chamava seu ofício de arte da morte. A técnica empregada, baseada em substituição de fluidos e impregnação dos tecidos, preservou o corpo de forma notável por décadas, mesmo depois de uma trajetória política conturbada.

Quem era Pedro Ara

Antes de qualquer coisa, é preciso entender que não se tratava de um improvisador. Pedro Ara era um anatomista formado na Europa, que chegou à Argentina na década de 1920 para organizar um museu de anatomia em uma faculdade de medicina. Ao longo da carreira, preservou um grande número de peças e corpos, acumulando experiência prática e reputação. Foi essa trajetória que o levou a ser chamado quando a morte de Eva Perón se tornou iminente, e o trabalho começou logo após o falecimento.

A técnica utilizada

O método seguiu um caminho técnico bem documentado na literatura de conservação. A conservação inicial foi feita com uma solução à base de formaldeído, álcool e um agente antifúngico, injetada pela artéria carótida e também nas cavidades e nos tecidos. Em uma segunda fase, voltada à preservação de longo prazo, o corpo foi impregnado por imersão em uma solução contendo álcool, glicerina, acetato de potássio e outros componentes, em um tanque de grande volume. Um aspecto que chama atenção é que os órgãos foram mantidos, e não removidos, ao contrário do que costuma ocorrer em procedimentos convencionais.

Por que essa técnica funciona

Fixação e substituição

A lógica é a mesma que sustenta a tanatopraxia moderna. Primeiro, a fixação química estabiliza as proteínas dos tecidos e impede a ação de enzimas e bactérias. Depois, a substituição da água dos tecidos por substâncias como glicerina reduz a possibilidade de decomposição e mantém uma flexibilidade e um aspecto que a simples secagem jamais alcançaria.

Manutenção ao longo do tempo

Conservação de longo prazo não é evento único, e sim processo. Segundo a literatura da área, o corpo passou por novos procedimentos de conservação em diferentes momentos ao longo das décadas seguintes, com soluções específicas. É a mesma lição do caso Lênin: manter exige rotina.

Uma história que virou símbolo

A trajetória do corpo após a morte é conhecida e conturbada. Ele ficou exposto por cerca de dois anos enquanto se planejava um monumento, e a queda do governo, em 1955, iniciou um período longo em que foi retirado, escondido e enviado ao exterior, retornando à Argentina apenas anos depois. Não é preciso entrar nos detalhes desse percurso para entender o ponto técnico que interessa aqui: apesar de tudo, a qualidade da conservação se manteve, o que diz muito sobre a competência do trabalho original.

O que o caso ensina a quem estuda tanatopraxia

Três lições saltam aos olhos. A primeira é que técnica e conhecimento anatômico profundo produzem resultados que a improvisação nunca alcançaria. A segunda é que a escolha das soluções e das vias de aplicação define o resultado, e cada decisão química tem consequência. A terceira é que conservação exige manutenção, e não existe procedimento que dure para sempre sem cuidado. São princípios que se aplicam, em escala menor, a cada corpo preparado para uma despedida digna.

Perguntas frequentes

Quem embalsamou Eva Perón?

O anatomista espanhol Pedro Ara, que atuava na Argentina desde os anos 1920 e tinha longa experiência na preservação de peças anatômicas e corpos.

Que técnica foi usada?

Conservação inicial com solução à base de formaldeído e álcool, injetada pela carótida, seguida de impregnação por imersão em solução com álcool, glicerina e acetato de potássio, mantendo os órgãos.

A conservação precisou de manutenção?

Sim. Segundo a literatura da área, o corpo passou por novos procedimentos de conservação em diferentes momentos ao longo das décadas seguintes.

Onde estudar Ciências Mortuárias

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Referências

  • “Embalming Techniques for Long-Term Preservation of Bodies”. The Journal of Plastination, 2023. Disponível em journal.plastination.org.