Tipos de impressão digital: arco, presilha e verticilo no sistema Vucetich
Os tipos de impressão digital usados no Brasil seguem o sistema Vucetich, que classifica os desenhos das pontas dos dedos em quatro tipos fundamentais: arco, presilha interna, presilha externa e verticilo. A diferença entre eles está na presença e na posição do delta, uma pequena figura triangular formada pelo encontro das linhas. Com essa classificação, cada pessoa recebe uma fórmula que permite arquivar e localizar as suas digitais entre milhões de registros.
O que é uma impressão digital
A pele das pontas dos dedos tem pequenas elevações, chamadas cristas papilares, separadas por sulcos. Quando o dedo toca uma superfície, o suor e a gordura deixam ali a reprodução desse desenho, que é a impressão digital. A ciência que estuda esses desenhos é a papiloscopia, e a parte dedicada aos dedos das mãos recebe o nome de datiloscopia.
As digitais são usadas para identificar pessoas porque reúnem três características. Elas se formam ainda durante a gestação e permanecem por toda a vida, o que se chama de perenidade. O desenho não se altera com o tempo, apenas cresce com o corpo, característica conhecida como imutabilidade. E não existem duas pessoas com digitais iguais, nem mesmo gêmeos idênticos, o que corresponde à variabilidade.
Quem foi Vucetich
Juan Vucetich foi um policial nascido na Croácia que fez carreira na Argentina. Em 1891, ele criou em La Plata um método para classificar e arquivar impressões digitais, que no ano seguinte ajudou a esclarecer um crime e ganhou fama. O sistema se espalhou pela América Latina, e o Brasil o adotou oficialmente em 1903, por decreto, no então Distrito Federal. A data da assinatura, 5 de fevereiro, é lembrada como o dia do papiloscopista.
O delta: a chave da classificação
Para entender os quatro tipos, é preciso reconhecer o delta. Em uma impressão digital, as linhas formam três regiões. A região basal fica na parte de baixo, próxima à dobra do dedo. A região marginal contorna as laterais e o topo. A região nuclear ocupa o centro. O delta é o ponto em que essas três regiões se encontram, criando uma figura que lembra um triângulo. A classificação de Vucetich se baseia em quantos deltas existem e de que lado eles aparecem.
Os quatro tipos de impressão digital
Arco
O arco é o tipo mais simples. As linhas atravessam a digital de um lado ao outro, com uma leve curvatura para cima no centro, e não há delta. Por não ter núcleo nem delta bem definidos, é o desenho mais fácil de reconhecer e também o menos frequente na população.
Presilha interna
Na presilha interna, existe um delta, que fica à direita de quem observa a impressão. As linhas do núcleo entram por um lado, fazem uma curva em forma de laço e retornam para o mesmo lado, que nesse caso é a esquerda do observador.
Presilha externa
A presilha externa é o espelho da anterior. O delta fica à esquerda do observador, e as linhas do núcleo correm em direção à direita. As presilhas, somadas, são o desenho mais comum entre as pessoas.
Verticilo
O verticilo tem dois deltas, um de cada lado. As linhas do núcleo ficam fechadas entre eles e podem formar círculos, espirais, ovais ou figuras sinuosas. É o segundo tipo mais frequente.
Como funciona a fórmula datiloscópica
Cada tipo recebe um símbolo. Nos polegares, usam-se letras: A para arco, I para presilha interna, E para presilha externa e V para verticilo. Nos demais dedos, usam-se números: 1 para arco, 2 para presilha interna, 3 para presilha externa e 4 para verticilo. A fórmula é escrita como uma fração. Em cima fica a mão direita, chamada de série, e embaixo a mão esquerda, chamada de seção, sempre do polegar para o dedo mínimo.
Uma pessoa com verticilo no polegar direito e presilhas externas nos outros dedos dessa mão teria a série V 3333. Dedos com cicatriz que impede a leitura recebem a letra X, e dedos amputados recebem o número zero. Com essa fórmula, os arquivos são divididos em grupos menores, o que tornava possível a busca manual e hoje organiza os bancos de dados.
Dos tipos aos pontos característicos
A classificação em quatro tipos serve para arquivar e para descartar rapidamente as digitais que não correspondem. A identificação de uma pessoa, porém, é feita em um nível mais detalhado, pela comparação dos pontos característicos, também chamados de minúcias. São pequenos acidentes no trajeto das linhas, como bifurcações, pontos, ilhotas e terminações. No Brasil, costuma-se adotar a coincidência de doze pontos, sem divergências, para afirmar que duas impressões são da mesma pessoa.
Atualmente, sistemas automatizados fazem a busca inicial em bancos com milhões de registros e apresentam candidatos, mas a confirmação continua sendo feita por um papiloscopista, que examina as imagens e assina o laudo.
Onde esse conhecimento é usado
O papiloscopista trabalha na identificação civil, que emite a carteira de identidade, e na identificação criminal, comparando fragmentos coletados em locais de crime. Ele também atua na identificação de corpos, área conhecida como necropapiloscopia, essencial em institutos médico-legais e em desastres com muitas vítimas. Nos concursos para papiloscopista e para auxiliar de necropsia, os tipos de impressão digital, o delta e a fórmula datiloscópica são temas frequentes de questões.
Perguntas frequentes
Quais são os quatro tipos de impressão digital?
No sistema Vucetich, são arco, presilha interna, presilha externa e verticilo. A classificação depende da presença e da posição do delta.
Qual a diferença entre presilha interna e presilha externa?
Na presilha interna, o delta fica à direita do observador. Na presilha externa, o delta fica à esquerda. O verticilo tem dois deltas, e o arco não tem nenhum.
Gêmeos idênticos têm a mesma impressão digital?
Não. Mesmo gêmeos idênticos têm digitais diferentes, porque o desenho também é influenciado por fatores do desenvolvimento na gestação.
Qual o tipo de impressão digital mais comum?
As presilhas são as mais frequentes, seguidas pelos verticilos. O arco é o tipo menos comum na população.
Onde estudar Ciências Mortuárias
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Referências
- Brasil. Decreto nº 4.764, de 5 de fevereiro de 1903, que adotou a identificação datiloscópica no Distrito Federal.
- Polícia Federal. Instituto Nacional de Identificação, materiais institucionais sobre identificação papiloscópica. Disponível em gov.br/pf.
- Literatura técnica de papiloscopia utilizada em cursos de formação de institutos de identificação estaduais.