Instrumentos de necropsia: nomes e para que serve cada um
Os instrumentos de necropsia se dividem em cinco grupos: os de corte, como bisturi, facas e tesouras, os de trabalho em ossos, como costótomo e serra, os de preensão, como pinças e afastadores, os de medição e coleta, como balança, régua e frascos, e os de sutura. Conhecer o nome e a função de cada um é uma das primeiras tarefas de quem estuda a área, porque cabe ao auxiliar de necropsia preparar, entregar e higienizar todo o material.
Por que o auxiliar precisa dominar o instrumental
Durante o exame, o médico pede os instrumentos pelo nome e espera recebê-los na ordem certa. Um auxiliar que conhece o material antecipa o que será usado em cada etapa, mantém a mesa organizada e torna o trabalho mais rápido e mais seguro. Esse domínio também reduz acidentes, já que a maior parte dos itens é cortante. Nos concursos da área e nos cursos de formação, o reconhecimento dos instrumentos de necropsia aparece com frequência.
Instrumentos de corte
O bisturi é formado por um cabo e por uma lâmina descartável, trocada sempre que perde o fio. É usado nas incisões da pele e em cortes delicados. A faca de necropsia tem lâmina maior e mais resistente, e serve para as incisões longas e para separar músculos e tecidos. Existem ainda as facas de lâmina comprida e fina, usadas para fazer cortes regulares em órgãos como o cérebro, o fígado e os pulmões, de modo a mostrar o seu interior.
As tesouras aparecem em vários formatos. As de ponta reta ou curva cortam tecidos e vasos. O enterótomo é uma tesoura longa, com uma das pontas arredondada, criada para abrir o intestino e o estômago sem perfurar a parede oposta. Há também tesouras menores, para o coração e para os vasos, que permitem seguir o trajeto das artérias.
Instrumentos para ossos
O costótomo é uma tesoura forte, de cabos longos, usada para seccionar as costelas e liberar o osso esterno, dando acesso ao tórax. A serra é necessária para o crânio. O modelo mais usado hoje é a serra elétrica oscilante, cuja lâmina vibra em vez de girar, o que permite cortar o osso com menos risco para os tecidos moles. Em locais sem esse equipamento, usa-se a serra manual.
Depois de serrado o crânio, entram o escopro, que é uma espécie de cinzel, e o martelo de necropsia, usados para terminar de soltar a calota. A rugina é um instrumento de raspagem, que descola a membrana que recobre o osso e limpa a superfície antes do corte. Para a coluna e para ossos longos, podem ser usados serras e alicates específicos.
Instrumentos de preensão e de exposição
As pinças servem para segurar. A pinça anatômica tem pontas lisas ou com ranhuras e é usada em tecidos delicados. A pinça dente de rato tem pequenas garras na ponta, que firmam a pele e os tecidos mais resistentes. As pinças hemostáticas, que travam ao serem fechadas, prendem vasos e estruturas. Os afastadores mantêm as bordas de uma incisão abertas, para que o médico enxergue o interior da cavidade.
As sondas e os estiletes são hastes finas, de ponta arredondada, usadas para acompanhar o caminho de um ferimento, como o trajeto de um projétil. Elas permitem demonstrar a direção da lesão sem ampliá-la.
Instrumentos de medição e de coleta
Medir é parte essencial do exame. A régua e a fita métrica registram o tamanho de lesões e do corpo, e o paquímetro mede com precisão espessuras e diâmetros. A balança de órgãos pesa cada um deles, e o resultado é comparado com os valores esperados. Para os líquidos encontrados nas cavidades, usam-se conchas e recipientes graduados.
Na coleta de amostras, entram seringas e agulhas, tubos, frascos com conservante, coletores e hastes com algodão na ponta, além de etiquetas e de lacres. Todo o material é identificado no momento da coleta. A câmera fotográfica e a escala, uma pequena régua que aparece ao lado da lesão na foto, completam o conjunto de registro.
Material de sutura e de recomposição
Ao final do exame, o corpo é recomposto. Para isso, usam-se agulhas de sutura grandes, retas ou curvas, e fio resistente. O ponto mais comum é contínuo e firme, feito para manter a incisão fechada durante o transporte e a preparação na funerária. Materiais de preenchimento, como algodão e compressas, ajudam a devolver o contorno natural das cavidades e a absorver líquidos.
A mesa e os equipamentos da sala
A mesa de necropsia é feita de aço inoxidável, tem bordas elevadas, leve inclinação e sistema de drenagem com água corrente, o que facilita a limpeza. Um apoio é colocado sob a cabeça ou sob o tronco para posicionar o corpo. A sala conta ainda com bancada para o exame dos órgãos, iluminação forte, sistema de exaustão, pias, recipientes para resíduos e câmara fria para a conservação dos corpos.
Equipamentos de proteção individual
Nenhum instrumento é manuseado sem proteção. O conjunto básico inclui avental impermeável de mangas longas, luvas, frequentemente em duas camadas, máscara, proteção para os olhos e para o rosto, gorro e botas de borracha. Em alguns procedimentos, usam-se luvas resistentes a corte por baixo das luvas de látex ou de nitrila. O uso correto desses equipamentos é ensinado desde a primeira aula e nunca é dispensado.
Cuidados com limpeza e descarte
Depois de cada exame, os instrumentos reutilizáveis passam por lavagem, desinfecção e secagem, e são conferidos antes de serem guardados. Lâminas de bisturi, agulhas e outros itens perfurocortantes descartáveis vão para coletores rígidos próprios. Os demais resíduos seguem as regras de resíduos de serviços de saúde. Um instrumental limpo, afiado e completo é sinal de uma equipe organizada.
Perguntas frequentes
Qual instrumento é usado para abrir o crânio na necropsia?
A serra, geralmente elétrica e oscilante, com o apoio do escopro e do martelo de necropsia para soltar a calota craniana.
Para que serve o costótomo?
É uma tesoura forte, de cabos longos, usada para seccionar as costelas e permitir a retirada do osso esterno, abrindo acesso ao tórax.
O que é um enterótomo?
É uma tesoura longa, com uma ponta arredondada, própria para abrir o intestino e o estômago sem danificar a parede oposta.
Quem cuida dos instrumentos de necropsia?
O auxiliar de necropsia. Ele separa o material antes do exame, entrega ao médico durante o procedimento e faz a limpeza e a conferência ao final.
Onde estudar Ciências Mortuárias
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Referências
- Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 32, Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Disponível em gov.br/trabalho-e-emprego.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 222/2018, sobre o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Disponível em gov.br/anvisa.
- Literatura de técnicas de necropsia utilizada em cursos de formação da área.