Livro de legislação representando a regulamentação da profissão de tanatopraxista
20/10/2026

Tanatopraxista é profissão regulamentada? O que dizem a CBO e a legislação

Por admin

Até outubro de 2026, o tanatopraxista ainda não é uma profissão regulamentada por lei federal no Brasil. A ocupação é reconhecida pela Classificação Brasileira de Ocupações e segue normas sanitárias, mas não existe uma lei que defina formação obrigatória e atribuições. Esse cenário pode mudar. O Projeto de Lei nº 1.261, de 2022, que regulamenta a profissão, foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais do Senado em julho de 2026, confirmado em agosto, e segue para a Câmara dos Deputados.

Profissão reconhecida e profissão regulamentada são coisas diferentes

Uma profissão é reconhecida quando consta da Classificação Brasileira de Ocupações, o cadastro do Ministério do Trabalho que descreve as ocupações existentes no país. Ela é regulamentada quando uma lei estabelece quem pode exercê-la, qual formação é exigida e quais são as atribuições. A maior parte das ocupações brasileiras é apenas reconhecida, e isso não impede ninguém de trabalhar. É nesse grupo que a tanatopraxia está hoje, e por isso quem pergunta se tanatopraxista é profissão regulamentada ouve respostas diferentes conforme a fonte.

O que diz a Classificação Brasileira de Ocupações

O tanatopraxista aparece na família dos trabalhadores dos serviços funerários, de código 5165, ao lado do agente funerário. Existe ainda a ocupação de embalsamador, de código 3281-05, dentro da família dos técnicos em necrópsia e taxidermistas. A classificação descreve as atividades, as condições de trabalho e a escolaridade de referência, e é usada para o registro em carteira e para as estatísticas de emprego. Ela não cria conselho profissional nem exige diploma específico.

As normas que já existem

Mesmo sem lei federal da profissão, a atividade não funciona sem regras. Os laboratórios de tanatopraxia são fiscalizados pela vigilância sanitária e precisam atender a exigências de estrutura, ventilação, descarte de resíduos e uso de equipamentos de proteção, definidas em normas estaduais e municipais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária disciplina o translado de restos mortais em portos, aeroportos e fronteiras por meio da Resolução nº 33, de 2011, que exige procedimento de conservação e a lavratura de uma ata. As normas de segurança do trabalho também se aplicam.

Na prática, isso significa que a empresa responde pelas condições do local e pela regularidade dos documentos, e que o profissional precisa conhecer essas regras para trabalhar corretamente e para não colocar em risco a própria saúde nem a da equipe.

O projeto de lei que regulamenta a profissão

O Projeto de Lei nº 1.261, de 2022, foi apresentado pela senadora Soraya Thronicke a pedido de profissionais do setor. O texto original previa duas categorias, uma de nível superior e outra de nível técnico. Na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, a relatora, senadora Damares Alves, apresentou um substitutivo que retirou a exigência de graduação, com o argumento de que não há curso superior de tanatopraxia em oferta no país.

A comissão aprovou o substitutivo em 15 de julho de 2026 e o confirmou em turno suplementar em 11 de agosto. Segundo a Agência Senado, a matéria segue para a Câmara dos Deputados, salvo se houver recurso para votação no plenário do Senado. Para virar lei, o projeto ainda precisa ser aprovado pelos deputados e sancionado pela Presidência da República.

O que o texto aprovado na comissão prevê

De acordo com a Agência Senado, o texto considera tanatopraxista quem concluiu curso profissionalizante, técnico ou tecnológico com ênfase em estética e conservação mortuária, em instituição brasileira ou estrangeira. Ele garante o exercício da profissão a quem já atua há pelo menos um ano antes da entrada em vigor da lei, mesmo sem a qualificação formal. Prevê também que o profissional responde tecnicamente pelas atividades que executa, inclusive nos aspectos de segurança biológica e química.

Entre as atribuições citadas estão a execução dos procedimentos de conservação e de estética, a docência e a coordenação de cursos da área, a assessoria sobre produtos e equipamentos e a elaboração de programas de atendimento para funerárias. É importante lembrar que esse conteúdo pode ser alterado na Câmara.

O que muda para quem já trabalha ou está estudando

Enquanto o projeto não for aprovado em definitivo, nada muda nas regras atuais. Se o texto se tornar lei na forma aprovada pela comissão, a qualificação em curso da área passa a ser o critério de entrada na profissão, com proteção para quem já tem experiência comprovada. Para quem está se formando agora, a tendência é favorável, porque a exigência de formação valoriza quem estudou e tende a afastar o improviso.

Convém acompanhar a tramitação com cautela e desconfiar de anúncios que afirmem que a profissão já está regulamentada ou que determinado certificado será obrigatório. Até a publicação da lei, essas afirmações não têm base.

Por que a regulamentação interessa às famílias

A tanatopraxia envolve produtos químicos, risco biológico e, acima de tudo, o cuidado com alguém que uma família ama. Critérios mínimos de formação protegem a saúde do trabalhador, reduzem falhas de conservação e dão ao público mais segurança sobre quem está realizando o procedimento. É uma etapa natural do amadurecimento de um setor que vem se profissionalizando há anos.

Perguntas frequentes

Existe lei que regulamenta a tanatopraxia no Brasil?

Até outubro de 2026, não. O Projeto de Lei nº 1.261/2022 foi aprovado em comissão do Senado e ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados e pela sanção presidencial.

Qual o CBO do tanatopraxista?

A ocupação está na família 5165, dos trabalhadores dos serviços funerários. Há também o código 3281-05, de embalsamador, na família dos técnicos em necrópsia.

Precisa de registro em conselho para ser tanatopraxista?

Não. Não existe conselho profissional de tanatopraxia. O que o mercado exige é a qualificação em curso da área e o cumprimento das normas sanitárias.

Quem já trabalha com tanatopraxia vai precisar fazer curso se a lei for aprovada?

O texto aprovado na comissão dispensa da qualificação formal quem atua há pelo menos um ano antes da lei. Essa regra ainda pode ser alterada na tramitação.

Afinal, tanatopraxista é profissão regulamentada?

Ainda não. A ocupação é reconhecida pela Classificação Brasileira de Ocupações, e o projeto que a regulamenta segue em tramitação no Congresso.

Onde estudar Ciências Mortuárias

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Referências

  • Agência Senado. CAS confirma em turno suplementar regulamentação de tanatopraxista, 11 de agosto de 2026. Disponível em senado.leg.br/noticias.
  • Senado Federal. Projeto de Lei nº 1.261/2022 e parecer da Comissão de Assuntos Sociais. Disponível em senado.leg.br.
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 33, de 8 de julho de 2011. Disponível em gov.br/anvisa.
  • Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações, famílias 5165 e 3281. Disponível em cbo.mte.gov.br.